Hiroshima, mon amour (Alain Resnais, 1959)
“Esta cidade foi feita para o amor. Você foi feito na medida do meu corpo. Quem é você? Você está me matando. Eu tinha fome. Fome de infidelidade, de adultério… de mentiras e de morrer. Desde sempre.
Eu sabia que um dia você cairia sobre mim. Eu o esperava com impaciência sem limite… calmamente. Devore-me. Deforme-me à sua imagem… para que ninguém, depois, possa entender o porquê de tamanho desejo. Nós ficaremos sozinhos, meu amor. A noite não acabará. O dia não nascerá mais para ninguém. Nunca. Nunca mais. Enfim. Você ainda está me matando. Você me faz bem. Prantearemos o dia morto com consciência e boa vontade. Não teremos mais nada a fazer… senão prantear o dia morto.
O tempo passará. O tempo, somente. E virá o tempo… em que não saberemos dar nome ao que nos unirá. O nome se apagará aos poucos de nossa memória… depois desaparecerá por completo.”
Oi você.
Você de novo.
Faz muito tempo que eu não falo com você.
Faz muito tempo que eu não falo de você.
Então, eu escutei uma música sua. Sua porque vc gosta dela. E sua porque tem um “still” nela e essa maldita palavra sempre faz a sua imagem surgir na minha cabeça, assim, como um estalo.
Daí vim escutar outra música sua. Mas essa é sua porque encaixa pra mim. E agora to escutando aquele refrão.
E agora vou escutar qualquer outra coisa que me lembre qualquer outra coisa. É um ciclo invisível.
medo que cega.
medo me anulou todo o resto.
que medo é esse?
medo que se confunde com preguiça, com ideais inacabados, com um passado que nada me agrada.
um medo que nasceu das minhas fontes de sabedoria, tão fortes e tão irreais.
e agora, eu não sei o que fazer com esse medo. Não sei se ele está para ser ignorado ou se ele é fruto dos meus instintos me alertando coisas que os meus olhos não veem.
Cate Blanchett - BlackBook by Warwick Saint, October 2007
Minha reação ao ver a foto: NOOOOOOOOOOOOSSA! *-*
Era um tradição e eu não sabia disso. Não sabia do que são feitas tradições, como elas nascem e como morrem.
Nunca ia imaginar que aquela simples tradição naquele lugar onde todos os sons eram sons abafados voltaria à minha memória toda vez que sentisse cheiro de chá. Era uma tradição pegar o copinho daquele cilíndro metálico encaixado na parede. Era uma tradição fazer isto e o entregá-lo para a mulher estranha.
Aquela mulher estranha, com aquele cabelo estranho. Não conseguia entender a cor deles. Eram basicamente cinzas, mas tinham resquícios ora dourados, ora marrom. Como sujeiras mesmo, mas não dava nojo. Aquela mulher era estranha. Estranhamente quieta, mas não parecia triste nem de longe. Isso me intrigava, sem eu saber.
Aquela mulher sempre estava lá, mas eu só a via no canto do chá. Porque ela? Agora pensando, acredito que ela fosse a zeladora ou algo do tipo. Era pra ela que eu entregava o copinho de plástico, e ela enchia com o chá. E eu tomava o chá, mesmo sem ter tido vontade, ou sede ou qualquer coisa. Fazia isso porque alguém tinha feito antes, meu pai ou me irmão. Não entendia direito porque se bebe café ou chá, do nada. Mas bebia. E me divertia com a doçura do cházinho. Mas sofria com o calor dele. Às vezes esperava esfriar tanto, que toda a graça ia embora junto com calor.
I know everybody
Has a little hard luck sometimes
I know lately
I’ve been havin’ mine.
Sweedeedee
Minha avó me chama de Gabilu. Meu pai também, às vezes.
Esse vai pra sempre ser o apelido mais carinhoso de todos. O que mais me conforta ouvir. E não deixarei qualquer um pronunciá-lo.
só resgatando memórias, já que esse assunto tem liderado minha mente ultimamente.






